domingo, 10 de dezembro de 2006

Bom Dia!

Vamos ali, Jorge. Preciso que dê uma olhada na perna do meu passarinho - disse seu Luisinho, sabendo que não estava enganando nem a Jorge, nem a sua esposa e nem a ele mesmo. E Jorge foi. Tomou o esperado wisky e só assim pôde notar que estava na festa errada.
Antes de resolver narrar o ocorrido resolvera que iria jogar o mesmo jogo dela. E fez com que o caminho reto se tornasse sinuoso, cheio de placas que diziam "cuidado, curva perigosa".
Notou que não era naquele apartamento, fazendo as mesmas coisas que faz no seu dia-a-dia, que deveria estar. Não precisava estar ali, inventando detalhes que despistassem o seu alvo. Não precisava estar ali, se arrastando como um leão na relva atrás de um gnú. E tampouco precisava estar ali, naquele apartamento que outrora fora de André, antes de sua mãe vender ainda cheia de lagrímas após a notícia de que encontraram seu filho. André tinha passado 2 dias desaparecido. Mas, desaparecido foi uma coisa que ele não estava. Apareceu em São Paulo em setembro daquele ano e decidiu que correria a São Silvestre. Morreu antes da virada do ano, mas na confusão do reveillon e da retrospectiva da Globo só descobriram o seu corpo enfartado no necrotério no 2º dia do ano novo.
Enfim, quando seu lábio ja estava um pouco dormente, percebeu que ele precisava repousar. E ele sabia onde. Aquela boca cansada sabia onde queria descansar... No entanto, voltou pra casa e simplesmente dormiu. Dormiu e no outro dia trabalhou, e nos dias seguintes também. Tinha algumas alegrias extremas, quando trocava alguns versinhos ou ainda quando compartilhava modinhas, de sua autoria ou não, pouco importava...
Um dia, percebeu que sua vida dava samba. Não daqueles onde se fazem o pedido derradeiro com fitas amarelas e hinos vindos do morro. Tambem não eram daqueles melancólicos que mensuravam a tristeza comparando-a com plumas sem vento, ou com sambas que maldizem pseudo-sambas comparando-os com piadas! Talvez fosse um samba bem bonito, um samba que nada dissesse e que sem nada querer dizer mostrassem tudo o que querem. Naquele dia sonhou com um samba assim. Dormiu com um sorriso bobo e acordou com um versinho que não saia da sua cabeça: eu te peço perdão por te amar de repente ...

3 comentários:

Chico Bento disse...

Quero saber do seu livro, Cerão... Como vai o andamento?

Anônimo disse...

livro?

Anônimo disse...

O.o