segunda-feira, 30 de outubro de 2006

C'est Vatapá?

Era daquele tipo de sujeito nervoso. Ansioso. Aguniado, como se diria na Bahia. Ahh seu trabalho... Era daqueles que faziam o sujeito esperar! Sempre em função de alguem ou de alguma coisa. E vejam como são as coisas nesse mundo, o rapaz acabou parando num emprego onde esperar é uma sabedoria. Logo ele, que se pudesse trabalhava um mês em um dia pra não ter que trabalhar mais tão cedo...
Pois ele saiu de casa só meio-dia. Tava o maior não-chove-molha na sua cidade, o que o obrigou a esperar bons minutos em sinaleiras que mais pareciam que so estavam ali para lhe provocar. Malditas sinaleiras e malditos carros que trocam os faróis por faróis azuis e ainda por cima os ligam em plena luz do dia!
No seu destino final, precisou aguardar um pouco. Aguardar uma ligação, de uma funcionária de uma repartição, que por sua vez estava aguardando a resposta do seu superior, que estava em uma reunião com o presidente da fundação, que provavelmente estavam dependendo de alguma coisa ou de alguem em algum lugar dessa cidade. Queria ele que dependessem dele, pra os fazer esperar bastante... iam ver só!
E o rapaz se encontrava no maior ponto turísticos da sua cidade, ao aguardo de um telefonema sem nadinha pra se fazer. Foi ai que se tocou que estava no maior ponto turístico de sua cidade, e que não era possível que o pelô nao lhe reservava nada de atraente para atenuar a sua espera! Ele sempre tinha vontade de parar quando por la passava, sempre apressado, mas agora estava la, sem pressa nenhuma e sem nada em mente pra se fazer por la...
Começou pelas loja de instrumentos (é que ele toca baixo) e ficou paquerando um pandeiro por alguns minutos, o que seduziu o vendedor a lhe infernizar com promoções e facilidades de pagamento. Bahh! Fugiu de lá, atravessou a rua olhando pra lojinha de cds que tinha deixado do outro lado do passeio. Voltou, não sem antes consumir 214 m³ de monoxido de carbono que um caminhão que por lá passava lhe baforou. Quando a vendedora de mais ou menos uns 48 anos lhe perguntou por qual cd procurava ele disse logo Counting Crows (ele nunca achou em lugar nenhum, não ia ser ali que ia achar) pra ela desistir de importuná-lo. E ela desistiu conforme o seu pedido raro não habitava as prateleiras da loja.
Foi então que o rapaz distinguiu algumas palavrinhas de um frances misturado com espanhol, e alguns pedaços de palavras como "esse aqui eh do Brasil, from Brasil...". Parou pra observar a cena de uma francesinha esqualida que se assemelhava a uma hippie (frances deve ser parente de hippie neh?), se matando pra fazer um pedido pro outro vendedor, um sujeito mais velho, com seus 54 anos, que se aparentava muito timido. E ele só apontava pros cds na mesa dizendo "from Brasil, from Brasil...". De repente ele coloca pra tocar alguma coisa entre Holla Como Vai e Chorando Se Foi, creio eu que na tentativa de tapiar a francesa, não sei... Acho que ele usou o mesmo fundamento que aqueles jornalistas usam pra confundir a capital do Brasil com Buenos Aires... Bom, não sei. Colocou o mambo altão e a francesa nem tchum. O nosso herói, que ja tinha ganhado o dia estava pra cair na gargalhada quando o vendedor disse alguma coisa que ele nao identificou, apontando pra outra vendedora que começou a dançar o mambo sozinha, no meio da loja. Dançou freneticamente, não foi aquela dança timida não! Foi arrojada mesmo, que ninguema ali imaginava que ela teria aquele gás pra tentar tapiar a francesa. E a francesa nem tchum. Foi ai que o vendedor deu a sua cartada final. Repetindo "from Brasil' ele colocou o cd de chicletão que começou comendo no centro com aquele famoso Lê lê, lê lê lê e o timido vendedor caiu na dança tambem, ele e a vendedora simulando a corda do chiclete, trocando aqueles socos no ar, dois vendedores cinquentões fazendo um verdadeiro teatro, pra francesa sair despercebida da loja, de fininho, sem que ninguem visse a não ser o rapaz que aproveitou a deixa e saiu tambem. Deu 5 minutos e seu celular tocou...

8 comentários:

Anônimo disse...

Primeiro post de novo! Essa história aí me fez lembrar daquela vez que vc me convidou pra tomar um chá de espera, junto contigo, ali na praça da Sé. Vc acabou ganhando uns elogios naquela vez:

"Porra Cerão, é mermo. Vc dirige bem pra caramba!"

Anônimo disse...

Consumidor de gás carbônico hahahuahau! Ri muito aqui.

Tem que escrever sempre, meu filho. Desgraca!

Abraco.

Anônimo disse...

Mambo é uma dança envolvente. O Pelourinho é exótico. Francesa até me lembra "Antes do amanhecer", o que é legal. Mas Counting Crows...

Anônimo disse...

heuheueheuhe
q diabos a francesa queria afinal??

Anônimo disse...

=) Gostei!!

Anônimo disse...

HAIUEHIAIUEHUIAHIEAIHEIHAAHEIAUHEA
sensacional!
essas coisas so acontecem em lugares como o pelourinho e com pessoas como VOCE!

oww deuss...

Anônimo disse...

esse tal cd de counting crows me fez lembrar uma coisa... CADE MEU CD?

adorei... essa historia eh sua casa MESMO!

e q saudade eh essa?

Anônimo disse...

* eu quis dizer "eh sua cara mesmo"... hehehe! =*