"Exilado"

Como prometido, vou postar uma crônica de um grande amigo meu, Daniel (Jeff, Sapo, Burger King, etc) pois me tocou profundamente. Pra quem gostar, vou deixar o link do Blog dele logo abaixo da crônica. Ah, não se esqueçam que qualquer semelhança pode ser muito mais que coincidências! Aproveitem...
era simples. ele havia marcado no cinema com ela às 20:50. estava de carro e assistira um pouco do ensaio da banda de seu amigo, ali perto. O grupo se atrasou e começou por volta das 20:20. ele demorou um pouco mais do que esperava no ensaio. Os caras tavam fazendo um som sensacional! aí, ok. Ele se despede da banda e sai do estúdio. hum! Que tranca engraçada a da porta grossa do estúdio, teve um pouco de trabalho para abrir e fechar. mas o pior ainda estava por vir... agora era muito fácil: abrir o portão e ir embora... foi quando percebeu que estava trancado. ainda tranqüilo: chamaria o rapaz do estúdio (havia decorado o nome dele), ele abriria, e pronto: iria embora e tudo seria lindo. voltou pelo quintal em meio às mangueiras, bananeiras mortas, e outras árvores e plantas da casa que mais parecia um esconderijo de revolucionários durante a ditadura militar: casa fechada e com pouco barulho, pouco movimento, carros antigos na garagem, uma banda subversiva no estúdio, árvores pra despistar e sua cabeça de 20 e poucos (ainda que meses) anos. voltou à sala anexa ao estúdio em busca do rapaz e eis que... não o encontrou! a luz apagada denunciava que ele havia se cansado de vigiar o ensaio. aí pensou: incomodar o jantar da família burguesa encobridora de comunistas? incomodar / interromper / atrapalhar o ensaio já atrasado da banda? ou buscar outros meios? seu espírito aventureiro precipitou-lhe à última opção! lá vai ele, visualizando o problema para pensar uma solução: ok, da esquerda pra direita, temos 4 portões de madeira e um muro de cimento. dois são portões de carro e dois de pedestres. verificando, primeiro portão: trancado com cadeado, segundo e terceiro portões: trancados por chave, quarto portão... espere! ele estava aberto, apenas no trinco, não precisava de chave! ah! mas como era estúpido, ansioso e afobado! uma solução tão simples e ele criando todo um caso em torno disso. feliz, abre o portão procurando não fazer barulho superior ao jantar à luz de TV da família na sala próxima. sai. e fecha o portão. e fecha o portão. e fecha... e tenta fechar o portão, mas ele emperrra no chão! não bate por fora. fica encostado. situação daquelas em que você, morador, deixa para resolver mais tarde, afinal, saindo com a chave, é só puxá-lo pelo trinco com a mesma! mas esse não era o seu caso. ele precisava arrumar um jeito de bater aquele portão. já não se importava mais com o barulho, nem com a família, nem com a banda, nem com o tal do rapaz (como era mesmo o nome?), nem com as bananeiras mortas! quando alguém desse por uma zuada estranha (e dificilmente seria a banda) ele já estaria longe. desistiu de sair por aquele portão. passava das 21hs, ele estava mais atrasado a cada minuto. o filme começava às 21:10. sua sorte: o cinema era perto e ele estava de carro; seu azar: a garota ligava impaciente e era a primeira 4ª-feira do badalado filme de um best-seller E ele estava trancado naquela casa estranha! retomou suas hipóteses e possibilidades. mas ouviu alguma conversa do tipo: não é nada minha mãe, a senhora é que se assusta com tudo, alguma resposta e depois o som da novela das "8" e de colheres na sopa. não incomodaria também os seus amigos da banda, pois o ensaio ainda estava em seu início e chamar alguém implicaria necessariamente em procurar o rapaz que por sua vez implicaria na interrupção do jantar e em atrapalhar a família burguesa, nem tão burguesa assim. o desespero então tomou conta dele. foi aí que aconteceu uma dessas coisas que parecem só acontecer em filme, pois é na hora do clímax que surge a solução: do lado esquerdo do muro, rente ao mesmo, próximo às bananeiras mortas, havia um aclive de terra. ele consolidou sua idéia: pularia o muro! Era de cimento, não deixaria marcas. Os ponteiros acusavam em seu pulso: 21:03, não pensou mais em nada e pulou! Mesmo às 9 da noite, num bairro de luxo ainda há pessoas no ponto de ônibus. e o muro pelo qual ele pulava era exatamente ao lado de um ponto com meia dúzia de gente. gente que olhou assustada pra o cara que pulava um muro de dois metros com tênis sem amortecedor. mas como bons cidadãos pacatos e omissos, nada disseram, nada viram. o mesmo para os seguranças e manobristas do restaurante caro do outro lado da rua, porém um pouco mais desconfiados. mas não era na direção deles que ele andava. as pessoas do ônibus que passava também olharam estranhando. e só. caminhou calmamente (loucamente intranqüilo) para fingir uma situação normal, não queria que alguém pensasse que estava fugindo. estava. mas, bem, ora, não era exatamente isso! ou não era pra ser! assim que o ônibus passou ele correu, como se ninguém tivesse percebido o seu disfarce de ritmo no passo! ele não estava mais nem aí! o carro já estava próximo, entrou e correu para o cinema. claro que perdeu a sessão. então, tinha que ir a outro cinema. mas antes, no caminho, com a garota no carro, pensou: ó meu deus! eu fechei por dentro o portão que não fechava por fora? a dúvida lhe consumia cada vez mais. aí veio a memória recente atormentar: havia criado o mal hábito de não trancar a porta do carro de seu amigo, baixista da banda e carona freqüente. era displiscente. era bem possível, ou melhor, provável que ele também tivesse esquecido de fechar o portão na sua ansiedade/desespero parágrafos acima. voltou, tremendo um pouco, já imaginava a bronca do amigo (que provavelmente estaria a repassá-la): rapaz, você é maluco, (palavrão)? que (palavrão) é essa? como é que você deixa a (palavrão) da porta aberta. sem perder o humor ele diria: foi o portão, meu velho... Vá se (palavrão)! mas que (palavrão)! Que (palavrão)! (e mais palavrão)! os seus amigos jamais ensaiariam ali e a culpa era dele. voltou. pediu para a garota para esperar ali. ela sabia mais ou menos do que se tratava. ele havia contado a sinopse (entrecortada e esbaforida) dessa história no carro, no caminho. chegou novamente à calçada da casa donde poucos minutos antes ele tentava fugir. havia um carro em cima da calçada e um cara forte e mal encarado ao volante. por que os "fortes" sempre acham que estão numa briga? E se ele morasse ali? A angústia era maior do que o medo de um soco. disfarçadamente (como o Pateta assobiando no desenho) se aproximou do portão, olhando para os lados e o empurrou... e ele não abriu! sim! estava fechado! tudo estava salvo! o cara mal encarado esperava a namorada que saía da loja ao lado e nem deu importância ao rapaz magro, suado e estranho ali na calçada. voltou feliz ao carro. pegaria a última sessão. cochilaria no filme, pois estava exausto. chegaria tarde em casa e levaria esporro do pai. mas estava feliz. o portão estava fechado! chegou em casa 1 e 40 da manhã. o pai, sem muitas palavras, mas com uma reclamação implícita e latente mandou-lhe trancar as portas e soltar o cachorro. que ironia, logo ele! mas ao deitar na cama veio uma última dúvida: teria sido mesmo ele a fechar o portão? ou, no intervalo de ir ao cinema, perder a sessão e trazer a garota, alguém foi verificar os barulhos estranhos, viu o portão aberto, fechou e foi reclamar com a banda? será que ele levaria a bronca mesmo assim? um leve temor tomou conta de seu corpo. mas o cansaço já o bloqueava por inteiro. na manhã seguinte mandaria um e-mail para seu amigo, contando a história e verificando a dúvida remanescente. teve sonhos estranhos.

12 comentários:
obs.: preciso encurtar meus posts pra nao afastar meus visitantes! =P
Deixa eu tentar adivinhar:
A banda: Tiolinda
Baixista: Cico
Estúdio: Léo
Restaurante em frente: Bella Napole
Cinema: Multiplex Iguatemi
Me avise se estiver errado
ueaheuaheauh n guentei até o fim não véi... mto grande! esse cara escreve mal pá porra... chico, era o itaigara, virou iguatemi. valeu cerão!
seu primeiro comment tirou as palavras dos meus dedos...hehehehe!
mas prometo que, em homenagem a daniel, vou ler o txt! agora tô com pressa... =)
abração, cico!
até mais tarde?
hehhheh
eu dexava era abertoo!
logo no estudio de qm?? leo??
hehehehe dexava aberto!!
=***
xixo, eu li todinho! rsrs!
vc ta saindo do ritmo hein? o outro foi do dia 25 ao dia 30.. hoje ja eh dia 5! rs!
um beijoo ;****
cero, tah na hora de postar coisas simples com textos de 5 linhas...
se quiser q hlera comente! hehehe
=*****
rpz..qdo eu digo q Jeff eh sem noçao...auahaua..soh ele pra me fazer rir pacas msm...hj eu vou pro ensaiooooo!! td bem q vc como grande amigo q eh nao me chamou dessa vez..mas vou me sentir convidada.. :P Bjuu cico!
rpz..qdo eu digo q Jeff eh sem noçao...auahaua..soh ele pra me fazer rir pacas msm...hj eu vou pro ensaiooooo!! td bem q vc como grande amigo q eh nao me chamou dessa vez..mas vou me sentir convidada.. :P Bjuu cico!
rpz..qdo eu digo q Jeff eh sem noçao...auahaua..soh ele pra me fazer rir pacas msm...hj eu vou pro ensaiooooo!! td bem q vc como grande amigo q eh nao me chamou dessa vez..mas vou me sentir convidada.. :P Bjuu cico!
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